Todo mundo tem um assento na mesa
Tem um cara em que eu penso quando estamos construindo o salty.poker.
Eu o via com certa frequência no card room. Praticamente tetraplégico. Ele chegava com a cadeira ao lado do dealer e, quando chegava a vez dele, falava pro dealer o que ele queria fazer. Check. Call. Raise pra trinta. O dealer cuidava das fichas e das cartas. Ele cuidava do pôquer.
Ninguém na mesa piscava. Ele era só um jogador. Um bom, por sinal.
Esse cara merece jogar online tanto quanto qualquer outra pessoa. E, neste momento, a maior parte das plataformas de pôquer tornaria praticamente impossível pra ele fazer isso. Pra gente, isso não é aceitável.
Acessibilidade não é um checkbox
Quando a maioria dos times de software fala em compliance ADA, o que eles querem dizer é que fizeram o mínimo — colocaram um alt text em algumas imagens, marcaram um checkbox, foram em frente. Essa versão não nos interessa.
Acessibilidade é um princípio de design, não uma formalidade legal. É construir uma plataforma que funcione pro leque inteiro de pessoas que querem usá-la — incluindo quem experimenta o mundo de um jeito diferente do usuário padrão assumido.
Pra uma plataforma de pôquer, isso quer dizer algumas coisas bem específicas.
Daltonismo
Cerca de 8% dos homens e 0,5% das mulheres têm alguma forma de deficiência na visão de cores. O daltonismo vermelho-verde é o mais comum. No pôquer, em que reconhecer os naipes é fundamental pra ler uma mão, uma plataforma que depende só da cor pra distinguir naipes está ativamente excluindo uma parcela significativa dos seus jogadores.
O salty.poker vai sair com suporte completo a daltonismo. Isso significa vários temas de cor, símbolos de naipe que são distintos pela forma — não só pela cor — e cartas que são legíveis independentemente de como você percebe cor. Se você já apertou os olhos olhando pra uma carta em outra plataforma e realmente não conseguiu saber se era copas ou ouros, esse é um problema que estamos resolvendo antes do launch, e não depois.
Navegação por teclado e mapeamento customizado
Interfaces dependentes de mouse travam jogadores que navegam de outra forma — seja por deficiência motora, tremores, diferenças nos membros, ou simplesmente por preferência pelo teclado. Toda ação central do salty.poker vai ser acessível via teclado. Fold, check, call, raise, confirmar — tudo navegável sem mouse.
A gente também tá construindo mapeamento de teclado customizável. Você define as teclas que funcionam pra você. Se precisa de áreas de clique maiores, timeouts default mais lentos, ou um layout que acomode tecnologia assistiva, esses controles vão estar lá.
O cara do lado do dealer tinha alguém pra mover as fichas dele. No salty.poker, queremos ser o equivalente em software daquele dealer — cuidando da execução mecânica enquanto o jogador faz o que importa: tomar decisões e jogar pôquer.
Customização como feature de acessibilidade
Customização e acessibilidade são mais a mesma coisa do que a maior parte das plataformas reconhece. Um jogador com baixa visão precisa de texto maior e mais contraste. Um jogador que lida com tremores precisa de áreas de clique mais tolerantes e timers de ação generosos. Um jogador que usa dispositivo switch ou software de eye-tracking precisa de um fluxo de navegação limpo e previsível.
Isso não são edge cases. Isso são jogadores — pessoas que amam pôquer e merecem uma plataforma que ame elas de volta.
O salty.poker está sendo construído com escalonamento de UI configurável, modos de alto contraste, timers de ação ajustáveis e dicas sonoras pros eventos do jogo. Não como add-on. Como parte central da plataforma.
Por que isso importa pra gente
Eu já joguei pôquer ao vivo com gente que encara desafios de acessibilidade toda sessão. Eu vi eles se adaptarem, improvisarem e dependerem da boa vontade de dealers e outros jogadores pra conseguirem participar de verdade. Isso funciona numa sala onde as pessoas se conhecem. Não escala pra uma plataforma online onde o software ou funciona pra você ou não funciona.
O salty.poker tem que funcionar pra todo mundo. O jogador recreativo com daltonismo vermelho-verde. O jogador competitivo com mobilidade reduzida nas mãos. O cara que costumava dizer pro dealer o que fazer e que te destruiria num heads-up.
Todo mundo tem um assento na mesa. A gente tá construindo a mesa exatamente pra garantir isso.
Eu escrevo sobre por que decisões como essa importam — os valores que dirigem como a gente constrói, não só o que a gente constrói — em The Salty Korean.
Stay salty.
The Salty Korean
Fundador da Salty Poker Network. Escreve sobre poker no Texas, construção de plataformas e o futuro do poker online. Leia mais em The Salty Korean.